Não consigo aprender a soletrar um adeus ao pé do ouvido e é tão difícil aceitar um último abraço.
Desisti de tentar compreender essas despedidas que alimentam minha rotina.
Que espécie de dor é esta que sufoca a minha voz e limita os meus gestos após um último aceno?
Eu não posso compreender estes sorrisos embaraçados e procuro ignorar o sabor ácido que transborda dos olhos e encharcam minha face.
Quero tudo daqui e de lá, juntos em um tempo só.
Quero o cheiro doce daqui e os livros empoeirados de lá.
Ficar aqui é viver sem ter planos e tomar chuva sem sentir frio. Mas, melhor ainda é ir e poder voltar quando eu quero.
Quero carregar o carinho que preenche o inverno daqui, enquanto eu vôo a liberdade de lá.
Queria poder dar férias aos ponteiros do relógio, porque, quem sabe assim se perdiam de mim e se esqueceriam de exclamar que é chegada a hora de partir.
Mas eu ainda não encontrei as chaves que abrem aquele rústico e velho relógio pendurado no centro da parede.
Agora, os ponteiros alcançaram a minha hora, preciso partir. Eu vou, mas ainda volto.

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